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Adeus

Escrevi o texto abaixo no dia 18 de setembro de 2023, 3 dias antes do meu filho nascer e as vésperas do seu segundo ano de vida revisitei ele.

“Em algum momento nos próximos dias será o dia da minha partida. O dia do meu fim.

O fim da minha versão que vivia só para si e isso era mais do que suficiente. O fim da mulher que brincava dizendo “não preciso voltar cedo, não deixei filho em casa”. O fim da esposa (quase) sempre disponível. O fim da dona de casa preocupada com o que os vizinhos do condomínio poderiam pensar ao verem a casa toda bagunçada pela janela da sala.

Para ser bem honesta, eu venho dando adeus e anunciando a minha partida a cada descoberta do gestar e do maternar. Eu não sabia que tinha tanto medo de cair no banho até ter uma barriga enorme e um ser humano dentro dela. Eu nem sabia que tinha tanto medo…

Nasceu em mim uma mãe, mas não morreu uma mulher. Essa gestação é dupla, dentro de mim uma substância sem forma foi transmutada ao mesmo tempo que eu mesma virei outro alguém.

Veja o parto do meu filho como um momento simbólico de nascimento e renascimento. Ele vai conhecer uma mãe que nem eu conheço. Isso sim é aventura!”

Com amor e com muito saudosismo,

Vitória Galvão.

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Vitória Galvão

Vivendo entre teorias e histórias.

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